Vinte de novembro de dois mil e vinte. Dia da Consciência Negra. Dia de reflexão acerca da luta negra na história brasileira.
Porém, mal acordei e me deparei com uma
notícia chocante que foi tema dos jornais durante toda a sexta: a morte de João
Alberto Batista Rodrigues Freitas, um homem negro de 40 anos, espancado até a
morte em um supermercado em Porto Alegre.
Desculpem-me, isso me revoltou. Não me
surpreendeu, pois a vida negra não tem validade nenhuma para muita gente.
Mesmo após muitos protestos que aconteceram ao
redor do mundo por causa da morte do norte-americano George Floyd, em maio
desse mesmo ano pandêmico, mesmo após o surgimento do movimento “Black Lives
Matters”, ou como foi traduzido para o português, “Vidas Negras Importam”,
mesmo assim, as vidas negras parecem não importar.
Este é um texto de desabafo. De tristeza. De
revolta.
Estes fatos me lembram que um texto que aborde
apenas o racismo falado e não percebido ou tratado como natural não é o
suficiente, é necessário lembrar a cada dia que passa que o racismo está
presente não só na linguagem, mas nas atitudes.
Trarei um gráfico que mostrará alguns dados
importantes para debatermos o racismo:
Fonte: https://www.uol.com.br/universa/colunas/maria-carolina-trevisan/2020/11/20/miguel-mirtes-e-a-revolucao-racial-nas-urnas.htm
Esses dados nos mostram o que eu havia
dito anteriormente que, embora nós gritemos que “V.N.I.”, não é o que se
percebe no cotidiano. Ano passado, por exemplo, o número de negros assassinados
encheria o Pacaembu. A cada 21 minutos há um jovem negro morrendo, e a chance
de um negro ser vítima de homicídio é quase 3x maior.
Mais da metade da população brasileira
é negra, os números de violências contra negros são maiores em quase todos os
tipos.
Não dá mais para aguentar isso.
Para muitos que não sabem, o Dia da Consciência
Negra foi criado devido à morte de um negro que lutava para defender seu povo,
que lutava para defender seus próximos. Essa data relembra a morte de Zumbi dos
Palmares, líder do Quilombo dos Palmares, situado nas Alagoas.
Zumbi nasceu no Quilombo mas foi educado por um
padre, aprendendo português e latim. Aos 15 retorna a Palmares. Lá, lutou pela
existência do Quilombo contra os colonizadores.
Em 20 de novembro de 1695, também aos 40 anos
(acredita-se que ele tenha nascido em 1655), Zumbi foi morto e decapitado a
mando de Domingos Jorge Velho (um bandeirante de SP que capturava índios e
negros fugitivos), e teve sua cabeça exposta em praça pública em Recife, PE.
O Dia da Consciência Negra, incluído no
calendário escolar no Governo Lula, em 2003, e oficializado pelo Governo Dilma
em 2011 como “Dia Nacional de Zumbi e da
Consciência Negra”, foi criado para nos lembrarmos que é importante se ter
uma data específica para revermos o espaço do negro na sociedade, não como um
perigo em potencial, apenas como alguém com potencial, alguém que precisa de
mais chances, de aparecer mais, de VIVER mais.
Geroge Floyd e João Alberto não foram os
únicos, há uma infinidade de casos que podemos citar aqui para lembrarmos o
porquê de ainda ter de existir esse Dia, mas, sinceramente, não quero me
estender mais nesse assunto revoltante.
Também não serão os últimos.
Obvio que todas as vidas importam. Mas
precisamos que se importem mais com as nossas vidas negras.
Gabriel Rodrigues
Referências:
BEZERRA,
Juliana. Dia da Consciência Negra: 20 de
novembro. Toda Matéria, 2019. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/dia-da-consciencia-negra/.
Acesso em: 20 de novembro de 2020.
________________.
Zumbi dos Palmares. Toda Matéria,
2020. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/zumbi-dos-palmares/.
Acesso em: 20 de novembro de 2020.

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